Sabia que na Europa, aproximadamente 40% da energia final é consumida nos edifícios, nomeadamente, nos sistemas de iluminação, sistemas de climatização, produção de águas quentes sanitárias e em equipamentos elétricos? É por isso essencial a adoção de medidas de eficiência energética que permitam a Portugal e à União Europeia cumprir o compromisso assumido no âmbito do Acordo de Paris.

Para que estes compromissos possam ser atingidos, é fundamental que exista uma redução dos consumos de energia nos edifícios, quer por melhoria de ações de manutenção e operação, quer pela adoção de medidas de eficiência energética.

Como reduzir o consumo de energia na sua empresa (comércio e serviços)?

A identificação de medidas de eficiência energética pode ser realizada pelo proprietário da empresa, caso este tenha sensibilidade para o efeito, e mediante a identificação dos sistemas que consomem mais energia. Poderá substituir os seus equipamentos por soluções mais eficientes, assim como adotar ações de alteração comportamental, que em muito influenciam no consumo de energia.

Caso o proprietário ainda não esteja sensibilizado para questões de eficiência energética, ou pretenda uma análise mais detalhada ou a realização de uma auditoria energética, aconselha-se que contacte técnicos acreditados e com experiência que, para além de sugerirem medidas de melhoria, podem ainda emitir um certificado que atesta a classe energética do imóvel.

A classificação energética do edifício segue uma escala composta por 8 classes (A+, A, B, B-, C, D, E e F), em que a classe A+ corresponde a um edifício com melhor desempenho energético, e a classe F corresponde a um edifício de pior desempenho energético. O certificado pode ainda conter informação sobre o período de retorno proposto para as medidas sugeridas.

Procure sempre um técnico devidamente credenciado para a realização de auditoria ENergética. Uma auditoria bem realizada poderá identificar mais e melhores medidas de eficiência energética.

Resultados da auditoria energética

A auditoria energética tem como objetivo analisar o comportamento térmico do edifício ou fração, considerando as soluções construtivas (isolamentos, espessura da parede, tipos de janelas e caixilharia entre outros), analisar as soluções de climatização e ventilação, avaliar o estado de funcionamento dos equipamentos e iluminação e o seu estado de manutenção. Outras variáveis como o perfil de ocupação e de funcionamento das instalações e equipamentos também são tidas em conta. Desta análise resultam medidas de eficiência energética para implementação no edifico ou fração que reduzem o consumo energético e os respetivos custos e que, paralelamente, melhoram o conforto dos seus ocupantes.

As medidas de eficiência energética a implementar, na sua generalidade, incidem sobre:

Envolvente

Cujas medidas incidem sobre os isolamentos, vãos envidraçados e caixilharia (ex. substituição de vidro simples por vidro duplo e de caixilharia de madeira por PVC, instalação de proteções solares);

Sistemas de iluminação

Cujas medidas incidem essencialmente na substituição das luminárias e/ou lâmpadas menos eficientes por soluções mais eficientes (ex. recurso a tecnologia LED), instalação de sensores de presença, instalação de sistemas que permitam a regulação do fluxo luminoso favorecendo a iluminação natural;

Sistemas de climatização

Estas medidas, normalmente, incidem na substituição dos sistemas que utilizam o fluido frigorígeno R22 por unidades mais eficientes com classificação energética superior “A”. As condições de funcionamento destes sistemas podem ainda ser ajustadas de acordo com as caraterísticas de cada espaço e das necessidades e condições externas. Sempre que possível é recomendável a instalação de sistemas centralizados em detrimento dos sistemas locais/individuais. Evitar obstrução dos difusores de insuflação e equipamentos garantindo uma distribuição uniforme do ar climatizado pelos espaços; também pode passar apenas pela regulação e otimização das temperaturas de climatização e dos set-points;

Sistemas de produção de AQS

As medidas relacionadas com os sistemas de produção de águas quentes sanitárias (AQS) incidem na otimização do modo de funcionamento e operação dos atuais sistemas, bem como a renovação e substituição por tecnologias mais eficientes (ex. instalação de caldeiras de condensação; instalação de caldeiras a biomassa; instalação de sistemas solares térmicos);

Sistemas de energia renováveis

De forma aproveitar os recursos naturais para a produção de energia, sempre que possível, e consequente diminuição da fatura de energia. As opções incidem essencialmente nos seguintes sistemas:

  • Sistemas solares térmicos: produção de água quente para AQS e climatização;
  • Sistemas solares fotovoltaicos: produção de energia elétrica.
Ações de sensibilização

Ações de sensibilização aos colaboradores e utilizadores dos edifícios, cujas medidas incidem na alteração dos comportamentos que conduzam a economias de energia, atribuição de responsabilidades e objetivos por departamentos;

Equipamentos de escritório

As medidas incidem na implementação de rotinas automáticas que permitam reduzir os consumos de energia dos equipamentos em períodos em que estes não sejam utilizados, eliminar os períodos de standby, (ex. instalação de controladores horários em monitores, centros de cópias, faxes, scanners e equipamentos multifunções);

Monitorizazção

Monitorizar os consumos de energia através da análise periódica das faturas de energia (eletricidade, gás natural, outras).

As ações de operação e manutenção dos edifícios e respetivos equipamentos também podem permitir uma redução dos consumos de energia, caso sejam implementadas, sugerindo-se:

Realização de auditorias fora dos períodos normais de ocupação da empresa, de forma a identificar equipamentos e sistemas que se encontrem em funcionamento.

Verificação regular do funcionamento dos equipamentos e sistemas, garantindo que estes operam nas condições de maior eficiência.

Manutenção regular de equipamentos (ex. substituição dos filtros dos sistemas de AVAC), para verificação e manutenção do seu estado de funcionamento.

Implementação de um sistema de gestão de energia para acompanhar a evolução dos consumos de energia e estabelecer prioridades de intervenção.

A energia mais barata é aquela que não se gasta. Assim, aposte no melhoramento da eficiência energética da sua instalação.

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